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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Gregário.


Não é por ter sonhado com você (depois de tanto tempo) que eu estou assim. É que meu incenso acabou.
Não é por ter lembrado de tudo o que você me fez passar que eu estou aqui, engolindo o choro. É que eu borrei o esmalte que tinha acabado de passar.
Não é porque o sonho foi real e trouxe a tona tudo como um dia já foi que meus olhos estão em carne viva. É a minha rinite que atacou
Não é porque me senti sufocada com o que meu subconsciente transformou em tuas palavras que eu to aqui, abraçada com um cobertor macio enquanto tomo chá de camomila e ouço nenhum de nós. É que o próximo episódio do meu seriado favorito vai demorar pra sair.
Não, não é por você que passei o dia mal humorada, sendo estúpida com todo mundo. Não é por você que não consegui engolir um bom dia ou um pedaço de pão. Também não é por você que meu rosto tá choroso e meu coração apertado. Não é. Você não é tudo isso.
É só pelo meu eu que você deixou sozinho, tendo que se reconstruir e se reinventar. É só pelo meu eu.
Você não vê, mas você já foi mais do que um simples ser ou não ser. Almejava ser um a gente e eu vi você se perder.  Hoje você não é e eu estou tentando ser.
É só pelo meu eu. Só.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Salve os empiricos.

As coisas mudaram de novo.
O universo engrenou de uma só vez todo o maquinário do meu dia a dia.
Meu vulcão voltou à ativa.
Esqueci os protocolos. Não sei o que dizer quando me perguntam das novidades, dos motivos e das conseqüências  É tudo novo ao mesmo tempo que é continuidade.
Hoje é sábado, devem ser uma cinco ou seis horas da tarde (eu me perco na dualidade dos meus universos quando estou cercada por meus pensamentos), indiferente da exatidão, essa é a hora que eu mais gosto no dia e também a que mais me faz doer; é próxima do silêncio (enlouquece), da calma (enfraquece), às ruas quase vazias enquanto o que as enche de solidão corre para o tão aconchegante lar. Eu sempre ouço algum pássaro cantarolar a despedida do sol sentado na minha janela. Mas hoje, ah, hoje não teve sol. Só a minha escuridão projetada e a chuva que escorria quase feito lágrima. Falando nisso, me afoguei com um soluço choroso e me engoli na realidade. Essa maldita é sempre tão mal educada. Tão racional. Platão que me desculpe mas essa historinha não é pra mim.
Mas veja bem, não é de todo mal, agora eu tenho uma banda nova para ouvir e lembrar de alguém. Seu Cuca é realmente ruim. Acho que o amor além de cego, teve a fineza de ser surdo. Quão adaptável o pobre é. Mas não vamos falar de amor porque é só uma banda nova, nada demais. Uma banda nova, um cheiro que ficou naquela blusa cinza que eu nem gostava até me fazer lembrar de você, e um sorriso que ficou guardado, um olhar que ficou encantado, e um beijo que ficou marcado, e essas coisas todas que ficam. Sabe como é.
Eu conversei com as paredes sobre isso, enquanto tomava um café meio gelado, meio mal adoçado e meio ruim. Eu estava sentada no piso por terminar da reforma constante que tem aqui dentro e no vazio de toda essa desorganização tocou um blues que me tocou, aí as paredes cantaram: não se engana meu bem, teu equilíbrio está nas bambas do teu coração. 
Bendito vulcão em erupção.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Vegas

Eu não quero falar nada. Nunca quis. E mesmo assim cuspo milhões de sinceridades em minha repulsa.
Não sei, sinto levemente, dentro de minha sobriedade madrugueira, que me perdi pelas ruas em que meu pesadelo me levou.
Já tem uma semana, pela minha contagem de tempo, que meus portais interiores se transformaram. A maioria virou poeira estelar. Eu não vejo vocês todos. Não posso ver. Pelos meus olhos só passam as mais vibrantes cores que o disco de newton pôde criar. E elas se intensificam a cada batida da balada que toca nos meus interiores. (Só nos meus interiores).
Eu ouço as pássaros, os riscos e os luxos mas não as marchinhas desse maldito carnaval.
Não ouço vocês. Não posso ouvir. Nem sequer me ouço. - gargalhada.
O meu universo se transborda em todos os meus sentidos. Em seu sentido.
E os meus olhos se fecham, meu pés pisam sem tocar o chão, minha mente vaga por minhas vias mais escondidas.
O cheiro que exalo é o mesmo que me perseguiu pelo estrondante silêncio do universo real por uma vida inteira (longo tempo) como uma fútil mentira. Como um monstro. Creio que agora somos iguais. Somos os outros de nós mesmos. Monstros de olhos arregalados e pupilas inchadas.
Pois é isso meu caro, o fato é que sempre falo sem querer dizer e digo.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Gritos do silêncio.


E ela grita como se em alguma outra rua, ou outra cidade, alguém que a ouvisse expressasse alguma relevância  pelas bambas de seu drama. Qualquer outra pessoa distante que ainda não tenha decorado o show. Qualquer pessoa que, além das que estão por perto e não ouvem suas estridentes vibrações ecoarem, acatasse-a e em seguida permitisse sua submissão.
Mas ela não entende que não adianta. Não entende que enquanto seus gritos forem sempre desesperados e sem fundamento, não passam de silêncio.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Nós embaraçados.

Eu sempre achei que precisava de alguém para dançar com bastante gingado e contato aquelas baladinhas que só eu conheço. E nem são bregas, juro.
Sempre achei que faltava uma parte (quase uma metade, pra ser sincera) para o meu bem querer, sentado naquela pedra larga embaixo do céu azul e da árvore florida.
Sempre imaginei alguém que sem precisar forçar uma intimidade que não existe, balançasse a cabeça em um sinal positivo quando eu abrisse a boca e derramasse meu mar de pensamentos.
Sempre achei precisar de alguém que puxasse a minha mão e me arrancasse da inércia que me continha para correr com os pés na areia molhada de onda recém chegada.
Alguém que tirasse meus óculos de acetato com cor que combina com meu humor, antes de me beijar porque sabe que as lentes embaçam.
Alguém que entendesse meus detalhes e desajeitos sem que eu precise contar.
Aí me aparece você.
Me tira para dançar enquanto toca minha balada tonta, e mais do que isso, dança comigo até na rua só porque sabe como eu gosto de dois para lá, dois para cá e nossos nós embaraçados.
Aí você senta no cantinho da pedra coberta pelo sombreiro, invade meu silêncio com o teu e vai mais longe quando me entrega uma lembrança mandada pela árvore florida.
Depois você me faz correr sem nem perder o folego, por metros e metros à beira mar. Ainda ousa segurar a minha mão.
Pois é, você tirou meu óculos vermelho para depois me beijar.
Mas veja bem, eu sei dançar sozinha, não preciso correr e posso perfeitamente ficar com meus óculos até a hora de dormir.
Só que no teu eu tem tanto do meu que me transbordo e me perco de mim.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Novo ano. O ano.

Mal preguei os olhos essa noite. Esse barulho todo dentro da minha cabeça não tem me deixado dormir.
Parece que meu sono durou dez segundos e pronto. Acordei. E acordei sentindo uma dor terrível nas pernas, dignas de alguém que correu uma maratona (não que eu já tenha tido essa experiência para saber, mas imagino). Minha cabeça esteve um pouco dolorida, principalmente a minha testa onde forma o desenho do onze. Coisa de quem pensa bravo demais. Bravo e demais.
Não foi vantagem para mim ter saído de casa. Soube desde que meus olhos doeram por ter encontrado a claridade. Ando me conhecendo bem.
Perambulei por ruas e ruas buscando mais que depressa terminar o que tinha pendente a fazer para poder voltar para casa, deitar em posição fetal e esperar minha agonia passar. Assim mesmo, resolvendo problemas com maturidade.
Mas, como já era de esperar, o dia se arrastou. Se agarrou ao tempo como uma criança que se segura nas pernas dos pais quando não quer -ou quer, fazer alguma coisa.
Agora cheguei em casa e minha rima anda tão pobre quando a esperança de que as coisas vão melhorar.
Sabe como é, daqui à umas quatro horas começa um novo ano. Vai ser meu ano de decisões (quem me conhece sabe o que penso a respeito de decisões) e tremo por dentro só de pensar nisso tudo que está por vir.
Não sou de fazer promessas e muito menos gosto de superstição, mas, será que vale tudo?
Vamos esperar. Esperar a esperança de que as novas marés não me arrestem para alto mar.
Feliz. Muito feliz 2013 para todos nós.

sábado, 29 de dezembro de 2012

Decifra-me, vossa senhoria.

Queria eu saber, de parte extremamente humilde, vossa senhoria, quanto silêncio embala os teus grito nessa canção.
Queria eu saber, da parte de um singelo sorriso, vossa senhoria, quanta vontade desesperada de parar cabe nos teus passos corridos.
Queria eu saber, de parte curiosa, vossa senhoria, quanta desordem consequente cabe na tua organização ordenada.
Queria eu saber, vossa senhoria, quantos goles a seco engole a tua paciência.
Queria eu, vossa senhoria, saber quantas memórias flamejantes cabem no teu frio vazio.
Queria eu saber, de parte da {in}quietude, vossa senhoria, quanta fumaça tragada cabe na tua estúpida e agoniante diversão.
Queria eu saber, de parte das marés, vossa senhoria, quantos céus inchados e trovejantes são contidos nos teus olhos.
Queria eu saber, vossa senhoria, quantas cordas no pescoço abafam os sons chorosos da tua voz.
Queria eu saber, de parte desconfiada, vossa senhoria, atrás de quantas mentiras e paredes esconde-se tua insegurança.
Queria eu saber, vossa senhoria, porque assim sabendo do outro, eu me saberia também.