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domingo, 16 de dezembro de 2012

Depois.


Outra vez eu não sei como começar.
Queria despejar essa agonia que está presa em mim. Botar para fora a bola de pelos que está parada na minha garganta, mas, dessa vez, não consigo fazer disso tudo prosa ou poesia. 
Eu não sou assim. Juro por tudo o que existe no universo, não sou! 
Nesses últimos dias, estive guardada no meu universo – interno- paralelo (em plena confusão) e no lugar onde a vida real acontece, me deixei sem controle, sem inteligência e repudio. 
Tirei férias de mim e aos outros entreguei passaportes para visitação e diversão. 
Não andei pelos melhores lugares e nem fiz as melhores coisas. Muito pelo contrário. E mesmo escondida de tudo, eu consegui sentir o tamanho do erro.
Confesso que hoje, de volta à mim,  me sinto um pouco melhor por descobri quem não quero ser. Acredite, já é uma grande coisa.
Mas de qualquer forma, eu não queria que isso tivesse envolvido mais ninguém. Principalmente alguém que não merece.
Estou descobrindo o que quero ser para mim mesma e lembrando como é ruim ser alvo de quem brinca com o coração de gente que ainda não cansou de se arrepender. Tenho certeza disso porque foi quem fui.
Sei que o que tá feito, simplesmente, tá feito. Mas jogar isso tudo em um papel me faz acreditar que não foi de todo mal. Só de todo egoismo.


segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Órion.

Já não sei mais em qual constelação parei; Não sei ao certo quantas gotas eu contei, nem quantos sorrisos {des}inventei.
Estou a dois dias preso na galaxia que tomou conta do teto escuro de um lugar qualquer.
[...]

- Tem estrelas alí; Acho que não ando bem.

- Mas tem mesmo.

[...]

Estou de mudança para um planeta sem nome porque lá eu vi alguém que não me obriga a mentir, não me pede para mudar, me deixa insistir e por incrível que pareça, não me faz querer fugir.
Juntei todas as minhas desesperanças em uma mala e sem choro nem vela, arremessei pro mar. Virei as costas e fingi que não ouvi nenhuma delas gritar.
Relembrei as lembranças só para me certificar de que já as esqueci.
Estava disposto a reaprender a amar. Porque, meu amor, eu preciso de um clichê pra essa história.
Veja, moça, lembra o que te falei do teu alguém?
Todo o drama se justifica. Eu também entendo as danças da crítica.
Mas, na verdade, tudo isso é só para te pedir que não se assuste com meu drama e meu jeito tão desajeitado. Só assim consigo mostrar que estou tentando o melhor pra poder te dar.
Afinal... Nós vemos as mesmas estrelas.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Eu não sei voar. Eu não sei mais nada.



Hoje é um daqueles dias em que parece ter algo querendo fugir do meu peito. Rasgar a alma, despedaçar o que já foi traçado. Aquarelado.
Dentro desse quarto branco, sem janelas, sufocante, meu mundo interior pulsa em um ritmo descompassado.  É desesperador olhar todos esses alheios à mim. Tranquilos.
Estou olhando firme e fundo para qualquer lugar, procurando segurança no inseguro e estabilidade no instável. Sempre ao contrário, mas que seja contrário se for dentro do meu lugar. [...]

Meu lugar é escuro e faz silencio. Não existem pegadas nem vestígios do que e de quem já passou por aqui. Não existe mais nada desde que você se foi.
Tem o vento e algumas folhas que cantam os melancólicos sons da noite. Tem também, a triste e fiel companhia da solidão.
E meu movimento é rápido, minha respiração é apavorada, meus pés são apressados.
Meu mundo é caleidoscópio. Gira. Se transforma o tempo todo.
Acontece que eu me perco da coreografia. Danço a dança errada. A música errada. O palco errado.
E mudou. Outra vez. Rápido. [...]
Meu mundo é uma calma, serena e plena. Confusão.

Não volte pra casa meu amor, que aqui é triste. Não volte para o mundo onde você não existe mais.


segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Alguém como você.

Preciso de alguém como você porque teu alguém é diferente de qualquer um.
Sei bem que tua fragilidade caberia dentro da minha grosseria.
Sei também que na palma da tua mão, existe um conforto pra minha solidão.
E é engraçado pensar assim porque não te conheço muito além dos fios ondulados que no vento faz o encanto multiplicar. Só sei que teu alguém é diferente.
Sei que acorda chorando de sonhos que te assustam.
Sei que teu coração já andou por eiras e beiras.
Sei que pelo teu sorriso, moça, largo até meu pior vicio. Paro de beber e de fumar, de escrever pra amargurar.
Por isso teu alguém é diferente.
Sei que não sei se teus olhos encantam mais que teus lábios.
Sei da tua harmonia, presente do universo, pra no final, combinar a poesia. Anatomia do teu ser.
É esse alguém diferente que mexe com o coração de gente que ainda não cansou de se arrepender.
É um alguém diferente, porque desse alguém, só tem você.

sábado, 6 de outubro de 2012

As flores de plástico.


Conhecer os demônios alheios é uma das experiências mais interessantes da vida. E não estou dramatizando agora.
Quando eu era criança, pegava botões da Camélia que tinha na casa da minha avó e tirava folha por folha. Dezenas.
O pé de Camélia já não está mais onde costumava estar e eu não gasto as unhas que não tenho estragando o resultado dessa criação. Literalmente falando. Agora eu ‘desfolho’ pessoas. Quanto mais interno, mais verdadeiro.
É curioso ver toda a armação que escondemos até chegar ao interior.
São mentiras, são momentos, são duplas personalidades e caras.
Todo mundo desfolha as Camélias do dia a dia.
Cada um se decepciona ou surpreende, profundamente. Não existe meio termo.
Porém, recentemente encontrei uma flor única.
Ao tentar descobri-la, encontrei medos, inseguranças, carências, fragilidade e a busca por conforto.
Mais longe eu encontrei dissimulação, mentira, abuso e os piores tipo de cena.
Maldito artista que brinca com o coração dos palhaços sem reconhecer quem não se faz compreender, mas quer fazer sorrir.
E mais fundo ainda, veio à surpresa. Era oco. Vazio, gelado, seco. Independente. Sem vestígio de raízes.
Na verdade, era assim: Comigo-ninguém-pode.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Ampulheta


Hoje, especialmente, não escrevi meu conto de chuveiro. Nem perto da hora de dormir.
Na verdade, isso nem é um conto, é um desabafo. Estou lendo um livro e as palavras impressas nele me disseram “O papel é mais paciente que as pessoas”, e eu encarei isso como a maior verdade.  Não sei bem como começar porque não quero que isso soe como um grito de atenção pra quem lê.
A verdade é que hoje eu me senti a pessoa mais vazia do universo. Conversei com mil pessoas, falei sobre Freud, futuro e as galáxias. Um monte de conversa vazia com um monte de gente vazia.
Não sei bem se sou egoísta pensando assim, mas, parece que mesmo tendo gente ao meu redor, eu sempre acabo sozinha. É sempre amor mendigado. Implorado.
Talvez eu não me permita receber amor de quem quer dar e me prenda a falta de reciprocidade alheia. Sei a quantidade de incômodo uma situação assim gera.
Eu não me sinto morna por dentro, pelo contrário. Explodo de diversas formas a todo o momento. Mas é sozinha.
Já por fora, tudo na mesma.
Sei que não sou uma pobre coitada que não pode contar com ninguém no mundo. Admitir isso passa e repassa por cima do meu drama de vida inteiro, mas é verdade. Sei que quando precisar, alguém vai estar comigo. Mas, e aqueles que ficam quando eu não preciso? Alguém pra ser exclusivo.
Eu não falo sobre isso com ninguém, não sei por que e é ruim expor isso assim.
Às vezes, especialmente no final da tarde quando meu dia a dia está me atropelando, eu sinto vontade de sair correndo. Para qualquer lugar.
Faço um monte de burrada e no fundo, sinto que alguma coisa está indo embora.
Tentar segurar a areia entre os dedos tem sido totalmente inútil.