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domingo, 23 de dezembro de 2012

Helena, já tenho cinco anos de saudade.


Baixinha, com a coluna meio torta. Andava bem devagar. Tinha pintinhas nas mãos e a pele flácida não deixou mentir a idade. O cabelo era tão branquinho e fraquinho que parecia que se encontrasse o vento ele ia voar igual aquelas flores que a gente assopra e elas se desmancham. Mas ver isso era luxo de poucos porque ela sempre andava com um lenço. Sem contar os vestidos que eram os mais floridos e bonitos do mundo, mesmo tendo um remendo aqui e outro lá. Tinha o olho tão verde quanto uma folha e o rosto tão macio quanto uma rosa. Na verdade, ela era uma rosa.
Tinha uma manchinha no rosto, marrom. A pele era tão delicada que era só bater um vento frio para de noite descascar. 
A voz dela era calma demais, falava as palavras mais verdadeiras e aconchegantes do mundo. O abraço sempre foi o mais desajeitado e era exatamente nesse 'desajeito' que cabia minha dor e o meu amor.
Ela arrastava os pés pelas calçadas usando alguma sandália de couro frouxa, no percurso entre a casa o jardim e lavanderia. Com o tempo ele arrastava junto um bengala. 
Foi sempre independente, até que a vida obrigou a deixar de ser.
Foi a mulher mais forte que eu já conheci. A mulher mais verdadeira.
Ela me cuidou e me amou sem esperar nada em troca.
Hoje eu a amo com todo meu coração, sabendo que não posso esperar mais do que a saudade que não passa.

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