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sábado, 21 de janeiro de 2012

O resultado de um ou cem.



Podia ter pensado em noventa e quatro pessoas, mas não. Foi automático, ouvi a palavra saudade e pronto, você estava lá e fez sumir qualquer outra pessoa que também me despertaria os sentidos dessa forma.
Em um exato instante voltei no tempo, um tarde com vento gelado. Sábado. São Paulo, Liberdade. Mayara.
Olhei para ela e senti tudo o que fosse capaz de se sentir em questão de segundos, logo abri um sorriso, sonolento, mas incrivelmente verdadeiro, acho que ela não viu.
Foi até engraçado porque eu me perdi completamente, não soube desmontrar como estava feliz por aquele momento, pelo contrario, me tornei uma criatura bizarra que não conseguia tomar conta dos atos nem palavras, ainda por cima coloquei a culpa no sono. Criativa, não?
O fato é que eu estive lá, frente a pessoa que em tempos havia se tornado de uma importância inexplicável.
Não sei explicar o que ela tinha e se tentar posso acabar escrevendo um livro. Era algo que me fascinava de uma maneira incomum. Sabe? Jeito de mulher madura, bem resolvida, cheia de gênio e atitude, mas tinha a voz e o sorriso de menina doce, quase fragil que, no silêncio se tornou impenetrável, indescritível. Vai ver é isso mesmo.
Mas o tempo voou, e já era hora de ir embora. Guardo até hoje o abraço de despedida, o cheiro e qualquer outro detalhe. Foi o melhor. Característico daquela menina, por hora, mulher.
Só sei que não à vi mais, nos falamos pouco, quase nunca, e a distância entre minha saudade e aquela tarde, aqueles quinhentos quilometros que adei unicamente para vê-la, se torna cada vez maior.
Queria ter marcado ela, como ela me marcou. Queria que ela sentisse a mesma falta que eu sinto. Na verdade, não precisava ser a mesma, podia apenas ser. Sei que não devo esperar muito, mas lá no fundo uma parte bem ingênua sente e espera.

Isso é sobre alguém que já esteve aqui.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Insanidade.

Nada precisa fazer sentido, e nada faz.

Me tornei qualquer coisa que ninguém saiba descrever.

Escrevo besteira o tempo todo, penso besteira o tempo todo, besteira que já foi mais do que importante.

Mas é que eu tranquei a respiração e pulei, sem braços abertos, sem olhar pro céu. Cai.
Cai e me machuquei, feridas feias que não fiz a menor questão de curar.
Fui um ser desesperadamente errante, desesperadamente mesmo.
Impulsivo até a última gota, última garrafa, último gole, última música, última noite.

Sai de casa sem voltar e conferir se tinha mesmo trancado a porta, na verdade acho que até esqueci onde deixei as chaves mas tanto faz. Tanto faz.

Não, não! O coração não tem nada que ver com isso. Nunca tem. O problema é dentro da gente, é problema da alma que está diretamente relacionada a mente.
Foi assim que eu sai, só de alma, sem mente e mentira, só cara e coragem.
Mas sempre existe um 'mas', um pé atrás, um pé lá onde toda aquela bagunça ficou, lá onde você sabe que não devia voltar mas mesmo assim volta, e eu voltei. Sem pensar nem falar nada, como sempre.
Eu sei que é culpa minha e que não é exatamente certo, não que eu tenha condições pra dizer o que é certo ou não mas pelo menos não me parece ser.

Lutar pra esquecer e depois fazer um tremendo esforço para lembrar.
Acho que quem não tem para onde ir arrisca querer voltar, mas é pra frente que se anda.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Mariana.

Verdade absoluta ou desequilíbrio racional, não sei.
Pra mim o céu é a apaixonado, é apaixonante, é amor.
Vai dizer que não te surge alegria por dentro ao tentar acompanhar a imensidão, ao vislumbrar beleza sem fim.
Tá ai, mais uma coisa, é infinito. E eu não digo que é apaixonado?
É calmo em vez, acalma.
Mas tem dia que explode feito vulcão, coração em erupção.
Ouso um pouco mais: céu e mar tem um romance. E digo que é o romance mais lindo que já vi.
O sol se esconde tímido atras da nuvem, mas se tu faz uma caricia ele volta a sorrir, brilha.
Ah, como é linda essa paixão.


Já tem dias que tenho sido tomada por sensações passadas, é como fechar os olhos e voltar ao passado, sensações boas, ruins, sensações exatas. É como reviver, é a mesma reação fisica, resposta psicologica em qualquer situação, é a mesma. [...]

[...]Era uma tarde de sexta-feira, primavera, no maximo uns 17ºC.
- Você vai me ver?
- Sabe que não posso, tenho outras coisas pra fazer.

Terminava de retocar a maquiagem, prender algum fio de cabelo que tivesse escapado - mesmo que isso parecesse dificil - "não deixa essa lagrima escorrer porque você acabou de passar o delineador."
Respira fundo e liga pela última vez.
- (respiração)
- Já sabe que não posso.
- Tudo bem.

"Vamos, vamos, me ajuda aqui. O carro já chegou. Vamos nos atrasar. Pega minha bolsa. Ainda não trocou de roupa? Anda, você troca no teatro. Já foi todo mundo? Tá na hora."

O sol já tinha baixado e eu sentia aquele vento gelado tocar a minha pele enquanto nela surgiam repentinos calafrios, como se fossem choques. Me encolhia em um gesto de proteção e desejava que aquilo passasse rápido.
Não que eu não gostasse do que fazia, eu amava, e justavamente por isso em algumas situações se tornara tão pesado.

"Chegamos no teatro. Todo mundo pro camarim, terminem de se arrumar, irão entrar em quinze minutos!"

Esses quinze minutos sempre eram os mais agoniantes, tentava bisbilhotar entre as cortinas do palco a esperança de que alguém se importasse, de que alguém sentisse o mesmo que eu. Mas não, ninguém sentia, ninguém sente.

"Cinco minutos!"

Só vou olhar mais uma vez, é a última, juro.
Só jurava pelo orgulho, sabia que por dentro estava explodindo em esperança, queria que realmente alguém aparecesse e mudasse tudo.

É agora meninas, vamos lá! É a hora de vocês.
Entre o ritmo da música, a coreografia ensaiada durante um ano todo se perde entre olhares. São luzes, cores, sons, aplausos, felicidade de alguns, sentimentos aflorados. Pessoas, tantas pessoas. Um teatro lotado, tantos lugares e eu só queria um único.

Mas ninguém apareceu, nada mudou.

domingo, 18 de setembro de 2011

Já tem tempo que deixou de ser poesia e se transformou em solidão [...]

[..] Mas se poesia é sentimentos, solidão é resultado.

terça-feira, 19 de julho de 2011

You're my angel.

"I've got an angel
She doesn't wear any wings
She wears a heart
That could melt my own
She wears a smile
That could make me wanna sing [...]"


"[...] But you're so busy
Changing the world
Just one smile
Can change all of mine"


domingo, 3 de julho de 2011

Saudade.

"O teu perfume, ainda me prende no desejo de te amar!
O vazio do tempo sem tempo... sem mar,
sem o sabor de outrora.
Os fios dos teus cabelos prendem-se entre os meus dedos
tecendo a minha alma de saudade esculpida pela dor
rasgada pelos gumes, golpeiam trajectos de revolta inalada
pelos impulsos dos caminhos que se cruzam pela
presença dos mais indignados seres que me alimentam
com o gelo
da mármore que reveste outro ser em mim...
Nada dizem, nada ditam, contudo cravejam-me os sentidos
a razão presenteada sobre o justo o se...
Inebriam-me com os seu amargos cálices de fel,
Apelo a todos os meus eus, a todas as minhas almas
Ergam-se da mais remota montanha e façam-me justiça!
Grito aos Deuses mais longínquos deixem-me amar por mais
infame que pareça por mais proibido que seja este s
sentimento
que tanto me atormenta, perante a injustiça daqueles que nada sabem...
mas que julgam! "
(Lara Neses)