E você volta.
Me dá uma desculpa esfarrapada.
Conta uma mentira mal contada.
Mas não importa.
E eu.
Eu acredito, porque, amor
Não se ama para mais ninguém
senão para si mesmo.
Ainda com toda nobreza
insistiremos em acreditar
E humildade não vai faltar
Já que nos iludimos
e na mais plena verdade
alguém sempre precisa
mais que o outro
voar.
segunda-feira, 5 de maio de 2014
segunda-feira, 28 de abril de 2014
Cidadania de Segunda Classe
"A tristeza é senhora
Desde que o samba é samba é assim
A lágrima clara sobre a pele escura
A noite, a chuva que cai lá fora
Solidão apavora
Tudo demorando em ser tão ruim
Mas alguma coisa acontece
No quando agora em mim
Cantando eu mando a tristeza embora"
(Caetano Veloso - Desde que o Samba é Samba)
Isso é sobre o DG. A Claudia. Sobre Amarildo. Sobre
os nomes que não tiveram um espacinho na mídia. Sobre os Silva. Os Jacinto.
Sobre a impunidade. A injustiça. A elitização da seguração "pública".
É sobre, mas não só sobre, é também para quem
critica a regra como se fosse exceção.
Sobre apropriação de discurso.
quarta-feira, 23 de abril de 2014
"Eu prometo não te
prometer nada
Nem te
amar para sempre
nem
não te trair nunca
nem
não te deixar jamais.
Estou aqui, te sinto agora
sem
máscaras nem artifícios
e
enquanto for bom para os dois que o outro fique.
Nada a te oferecer senão eu mesmo
Nada a
te pedir senão que sejas quem tu és
a
verdade é o que de melhor temos para compartilhar.
Tuas coisas continuam tuas e as minhas, minhas.
Não
nos mudaremos na loucura de tornar eterno
o que
pode ser apenas um breve instante.
Se crescermos juntos
ainda
que em direções opostas
saberemos
nos amar pelo que somos
sem
medo ou vergonha
de nos
mostrarmos um ao outro por inteiro.
Não te prendo e não quero que me prendas
Nenhuma
corrente pode deter o curso da vida
nenhuma
promessa pode substituir o amor
quero
que sejas livre como eu também quero ser.
Companheiros de uma viagem que está começando
cada
vez que nos encontramos novamente."
_________________________
Geraldo
Eustáquio de Souza
terça-feira, 8 de abril de 2014
Em algum momento da minha vida me vi rodeada pela
necessidade de questionar. Eu não sei quando foi que isso aconteceu, mas, como
uma doença silenciosa, alastrou-se e no decorrer do tempo e me fez chegar aos
dias de hoje. É essa minha essência. Sou presa à necessidade de desconstruir, e
vai além disso, de perceber como as coisas se dão, ou quão subjetivas se
permitem para simplesmente existir. Mais do que me questionar, eu exigia de mim
respostas. As respostas, assim como as perguntas, têm seu desenrolar tão tênue
que era praticamente impossível de se obter, e mesmo com essa consciência eu a
buscava. E buscava. Buscava.
Mas sinceramente, não era isso o que eu queria.
quarta-feira, 26 de março de 2014
Não sei. Sinceramente, eu dançaria todo esse mosaico da rua XV com qualquer música que estivesse tocando na minha cabeça naquele momento. Não sei.
Hoje eu acordei meio assim. Nem pra lá e muito menos pra cá. São esses os abençoados (ou não) dias que tiro pra me questionar sobre tudo, e olha: não sei.
Eu penso, repenso, procuro sentido, perco sentido e talvez eu até sinta. Mas ai. Nem discuto, sabe? Porque, afinal de contas.
Eu só consigo, olhando esse teto que absorveu toda a possibilidade de cor, imaginar que sou um grande parentese. Desse que pra uns acrescenta e pra outros só confunde. Isso, bem esse que quando a gente tá cansado, pula.
Mas eu só imagino porque não sei.
Hoje eu acordei meio assim. Nem pra lá e muito menos pra cá. São esses os abençoados (ou não) dias que tiro pra me questionar sobre tudo, e olha: não sei.
Eu penso, repenso, procuro sentido, perco sentido e talvez eu até sinta. Mas ai. Nem discuto, sabe? Porque, afinal de contas.
Eu só consigo, olhando esse teto que absorveu toda a possibilidade de cor, imaginar que sou um grande parentese. Desse que pra uns acrescenta e pra outros só confunde. Isso, bem esse que quando a gente tá cansado, pula.
Mas eu só imagino porque não sei.
quinta-feira, 6 de março de 2014
Cinco à seco
Eu quero morar no teu cheiro
...
E ainda sobre
[...] do ouvido não olvido
pois tendo desenvolvido
a guerra dos sentidos
me voltei pro silêncio
o som não faz mais sentido."
porque é nele que encontro a
tranquilidade escassa
dos meus dentes cerrados
e desesperados ao acompanhar
a sombra que dança
da curva das pernas
Até que elas se esbarram e viram nós
rendidos quando estão à sós;
...
E ainda sobre
[...] do ouvido não olvido
pois tendo desenvolvido
a guerra dos sentidos
me voltei pro silêncio
o som não faz mais sentido."
segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
Nasci do Lake Erie.
Teve um dia em que eu estava passeando de barco, quando em “alto
mar”o barco parou. Não era um lago qualquer, e eu nem sabia muito sobre ele, no
máximo que era muito fundo e muito gelado também. Eu nunca havia tido uma
experiência tão próxima com água, na verdade, não sei nem se posso dizer que
sabia nadar.
Mas naquele dia, mecanicamente me dirigi para a saída, e
observando a distância entre o barco e a água, além de seu movimento de
oscilação, pulei.
Eu não tinha absolutamente nada que me desse segurança, não tinha colete, corda, nem o fundo próximo dos meus pés e muito menos a borda próxima das minhas mãos.
Depois que pulei, senti como que se não existisse força
nenhuma sobre mim, e como se eu fosse algo insignificante no meio daquela
imensidão azuladamente vazia. Eu afundava, afundava, afundava... e quando abri
os olhos, vi a luz na superfície ficando cada vez mais distante. Qualquer
movimento que eu fizesse era inútil. Eu havia me tornado parte daquele todo
cheio de nada. Olhei para o meu corpo e ele se movia no ritmo das ondas, e meus
olhos cobertos de azul escuro, já previam a dor da água entrando nos meus
pulmões. Mas não consegui me assustar, foi tão natural. Era como se eu
estivesse sendo consumida pela natureza, e a luz do sol que eu via do lado de
fora, fosse o que sobrava de mim.
Foi ai que eu senti que algo ainda me pertencia, e o vento
frio de julho tocou a ponta dos meus dedos que fugiram daquele lugar. Aos poucos,
todas as partes de mim passaram a ser as mais sensíveis existentes no universo,
e meus membros obedeciam minhas vontades. Eu movimentava meus braços e minhas
pernas que pareciam quebrar icebergs a cada metro atingido.
Então, encontrei a escada do barco, subi. Ri de mim mesma
por alguns longos minutos, e quando senti o peso da necessidade de ser alguém,
outra vez, deixei que meus pés
escorregassem de novo para dentro de um lugar onde não houvessem limites para
mim. Lá onde meus pensamento e sentimentos divagavam sem fronteiras. Dissolviam-se. Onde tudo se tornou um só, desafiando todas
as ciências e os métodos.
Foi assim, e é assim sempre, todos os dias.
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