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domingo, 18 de setembro de 2011

Já tem tempo que deixou de ser poesia e se transformou em solidão [...]

[..] Mas se poesia é sentimentos, solidão é resultado.

terça-feira, 19 de julho de 2011

You're my angel.

"I've got an angel
She doesn't wear any wings
She wears a heart
That could melt my own
She wears a smile
That could make me wanna sing [...]"


"[...] But you're so busy
Changing the world
Just one smile
Can change all of mine"


domingo, 3 de julho de 2011

Saudade.

"O teu perfume, ainda me prende no desejo de te amar!
O vazio do tempo sem tempo... sem mar,
sem o sabor de outrora.
Os fios dos teus cabelos prendem-se entre os meus dedos
tecendo a minha alma de saudade esculpida pela dor
rasgada pelos gumes, golpeiam trajectos de revolta inalada
pelos impulsos dos caminhos que se cruzam pela
presença dos mais indignados seres que me alimentam
com o gelo
da mármore que reveste outro ser em mim...
Nada dizem, nada ditam, contudo cravejam-me os sentidos
a razão presenteada sobre o justo o se...
Inebriam-me com os seu amargos cálices de fel,
Apelo a todos os meus eus, a todas as minhas almas
Ergam-se da mais remota montanha e façam-me justiça!
Grito aos Deuses mais longínquos deixem-me amar por mais
infame que pareça por mais proibido que seja este s
sentimento
que tanto me atormenta, perante a injustiça daqueles que nada sabem...
mas que julgam! "
(Lara Neses)

Rosa dos Ventos

No pó da estrada
um peito vazio.
Tédio, anseio,
medos, expressões.
Desvios buracos.
Pedras pontiagudas.
Sobram obstáculos.
Constelações caladas,
infinitos medonhos.
Som dos ventos,
trazendo respostas
do outro lugar.
Folhas mortas.
Cacos espalhados
à beira do mar,
levando pro fundo
segredos do ser, do estar.
Pelas andanças
o sol, a pele tosta;
a alma embrutece
a visão conturba.
O calor da vida,
a sede aplaca,
o copo revigora
a dor expande.
Da pedra só o pó.
Das estrelas o brilho.
Do vento só a brisa.
Do mar só as ondas.
Do ser, exemplificar.
Na lida da lida
do sol correr.

(Yara Ribeiro)

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Melancolia

Ela estava andando pelos piores lugares da vida, os mais escuros, úmidos, sujos, com aquele cheiro de coisa velha, de pó, dos álbuns de fotografia que ela adorava folhar quando era criança, daquele baú cheio de bonecas, nas quais não deixavam nem ser tocadas, de uma passado nem tão bonito quando parece, essas lembranças que cutucavam a ferida aberta. Ela sentia o gosto amargo do fracasso na garganta, o mesmo fracasso que ardia nas veias. Olhava para os lados e não encontrava o que gostaria de encontrar, se é que sabia o que queria encontrar. Tinha muita neblina, era negro demais para enxergar o que quer que fosse. Não tinha muito que fazer, era um caminho sem volta, por mais triste que essa idéia tenha se tornado.

Ela errou demais, começou rasgando o peito e arrancando o coração, depois por continuar vivendo assim, como se nada tivesse uma conseqüência. E foi errado, errando, errando. No final, descobriu que as conseqüências não eram exatamente por parte do coração. Então ela desejou perder a razão.

De uma forma ou de outra, seus desejos eram atendidos, sabe-se lá porque, mas eram. O fato é que em algum momento ela desejou o que não era certo. Não foi por mal, é que ela realmente não sabia a diferença entre o certo o errado, fácil, difícil.

O que acontece depois de se fazer algumas escolhas erradas? É o inferno em terra. É uma dor imensurável, agonizante, cruel. Não tem como explicar, só sei que dói, e eu nem sequer consigo mais pensar em uma saída, é como se estivesse presa a algo e a tentativa de escapar me prendesse com mais força. Até que perdeu a razão.

sábado, 26 de março de 2011

Mais do que amor.

Era uma tarde, meio vazia. Não muito diferente de outras.
Estava sentada ao chão, abraçando as suas pernas, com os pés descalços, olhando para fora da janela, uma rosa e um céu azul. Seus olhos brilhavam ao refletir do sol, encostou a cabeça na parede, respirou fundo, e sem querer uma lágrima caiu dos seus olhos. É uma coisa que machuca sabe?
Não tenho argumentos muito convincentes para explicar porque eu não te liguei até agora, mas está doendo, você já se tornou meu ar, não consigo viver com a sua ausência. E também, não quero.
Eu me lembro de cada palavra, eu imagino todos os sorrisos, eu desejo os abraços, eu desejo você.
E um dia alguém atreveu a me perguntar se eu estaria apaixonada, obviamente respondi que não.
Então foi mais audacioso ainda, e me perguntou se eu estava amando, mais rápido do que da primeira vez, respondi que não.
Até que depois de algum tempo em silêncio, me perguntou o que havia de errado, se eu não amava, porque sentia tanto?
Pensei em não tentar responder, mas não quis aparentar desinteresse.
- Sabe, quando você cuida de alguém como se fosse sua própria vida. Ou pelo menos, deseja, com o mais profundo e verdadeiro sentimento, poder cuidar?
É como se você não precisasse de mais nada, e acho que realmente não preciso, como se nada conseguisse te alcançar porque você chegou ao lugar mais alto que poderia chegar e atingiu a glória de um humano? É respirar alguém. É olhar para o nada e imaginar tudo, ter momentos que não aconteceram, gravador na memoria, todos planejados para acontecer. Sinceramente, você não vai me entender. Mas é mais que amor, é uma necessidade incontrolável de amar.
E eu acordei, peguei o telefone, e te liguei.
Só pra dizer que te amo, só pra dizer que sinto a sua falta. Só pra dizer que não vivo sem você.

Verão de 97.

Seus pés gelados, na verdade seu corpo todo. As lágrimas cortavam aquele rosto delicado enquanto caiam, eram como pedaços afiados de gelo escorrendo pelos olhos.
Estava quase só, fez daquele silêncio, quase doentio, uma companhia, por dentro euforia, movimento. Por fora a calmaria, agonia, a ponto de que conseguia sentir a pulsação do seu sangue, correndo pelas veias. A luz que sem pedir invadiu sua solidão, passava pela janela e refletia naquela pele clara.
Acho que tudo isso começou no verão de 97.
Desculpe, não quero parecer inconveniente, mas ser o que sou, não foi uma opção. Você aceitando, ou não, sou.