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sábado, 26 de março de 2011

Verão de 97.

Seus pés gelados, na verdade seu corpo todo. As lágrimas cortavam aquele rosto delicado enquanto caiam, eram como pedaços afiados de gelo escorrendo pelos olhos.
Estava quase só, fez daquele silêncio, quase doentio, uma companhia, por dentro euforia, movimento. Por fora a calmaria, agonia, a ponto de que conseguia sentir a pulsação do seu sangue, correndo pelas veias. A luz que sem pedir invadiu sua solidão, passava pela janela e refletia naquela pele clara.
Acho que tudo isso começou no verão de 97.
Desculpe, não quero parecer inconveniente, mas ser o que sou, não foi uma opção. Você aceitando, ou não, sou.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Cisne Negro

Seus olhos bem delineados, marcantes, profundos, chegam a assustar. Uma expressão marcada.
Ela não sente medo, é decidida, faz o que é preciso e pronto.
Ela escolheu seu caminho, não que esse seja o melhor, mas foi capaz de erguer a cabeça e decidir.
Nunca está sozinha, sempre acompanhada das piores companhias.
E quer saber? Ela conseguiu suas asas e instantaneamente aprendeu a voar, ela pode fugir agora, qual vai ser o problema? Está totalmente certa em arriscar.
Não, também não é a mesma de antes, e não pensa em quem vai ser, deixa o reflexo do que é, decidir isso.
Ela atingiu a perfeição, dentro dela pelo menos, o que foi suficiente para se tornar segura, mas é que essa segurança se tornou um mal, já não pensa no que existe a sua volta.
Ela.... Descobriu-se.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Cisne Branco.

Tem nos olhos o pedido de socorro, está presa e a única barreira, ah, é ela mesma, claro!
Sente medo, sem saber direito qual a fonte.
Ora quer, ora desiste. Ela só não sabe direito pra onde ir.
Ela é sozinha e acha que assim já está bem acompanhada. No fundo ela é frágil,
suplica para que algo a liberte, quer suas asas, e quer também, aprender a voar.
Não é a mesma menina de antes, não sabe quem foi, que dirá, quem ira ser.
Ela quer ser perfeita, mesmo sabendo que é impossível, o que é perfeito para ela, deixa a desejar a outros, e sim, ela se preocupa com o que os outros vão pensar.
Ela é fria, na verdade, com o passar do tempo se tornou fria.
É agonizante a maneira com que se culpa.
Ela não queria descobrir o que havia por dentro dessa identidade forçadamente
imposta. Mas descobriu....

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Menina.

O problema não está em você, pelo menos não somente em você. Nós não somos mais as mesmas pessoas e a sua presença já é algo substituível, machuca ouvir isso, eu sei, mas machuca mais ainda aceitar que vai ser assim daqui pra frente. Não por vontade própria. É que eu não entendo esse seu jeito, as vezes tão segura de si, as vezes escondida atrás da verdade que lhe for mais confortável. Não, não é com essa pessoa que eu convivi todos esses anos. E é a pessoa que você está se tornando agora que vai te deixar sozinha.
Deixa disso menina! Coloque as coisas no lugar, onde elas estavam antes, no lugar delas! Não se esconda, não ache que esse caminho é o melhor. Eu jurei que estaria com você e eu vou estar, não ao seu lado, não acompanhando a seqüência de erros que irão de vir, vou estar com você de outra maneira, vou pedir para que faça a escolha certa, mas não vou pedir para você.
Nós que conhecíamos cada sentimento uma da outra, nós que já brigamos tantas vezes e como sempre no final era um abraço e mais algumas promessas que se quebravam no dia seguinte. Não menina, nós não nos conhecemos mais, e os abraços não tem sentimentos, são vazios, menina, você quebrou todas as promessas e agora talvez não vai haver mais tempo de fazermos outras.
Se um dia desses sentir saudades de como as coisas eram, você pode me ligar, ou pode vir me ver, eu estou no mesmo lugar. Seguindo em outra direção, com pessoas diferentes. Quem sabe posso te esperar um dia desses.
Mas menina, me desculpe. Tudo acabou aqui.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Encontre o final da história.

Que ultimamente eu tenho pensado em você com bastante frequência é fato, mas eu não saberia te dizer se isso é bom ou ruim. Você diz que precisa de alguém, diz sentir falta de alguém. Eu me pergunto se você ainda não percebeu. Você insiste em repetir que eu sou tudo, mas você sempre volta atrás por medo. Você diz que tudo o que quer é me ver, mas sempre que eu tento te mostrar isso de algum jeito, você se afasta. Você me faz entender que sou eu, mas sempre diz algo sobre não ter alguém, sobre não conhecer alguém que saiba cobrir o seu vazio. O que eu estou fazendo aqui então? Qual o seu medo? Eu não vou te deixar, não saberia te deixar. Eu estou aqui por você, lembra? Você foi a única pessoa que soube me ajudar, então me deixa cuidar de ti agora que quem precisa é você. Eu juro não te deixar nunca, eu juro te amar, eu juro curar todas as feridas, eu juro ser quem você precisar que eu seja. Eu não quero desistir de você, eu não quero desistir disso. Porque eu já quase desisti de mim, mas não posso desistir de ti, eu não quero. Mas talvez seja apenas coisa da minha cabeça, então talvez seja melhor deixar pra lá. Só que você diz que não sabe viver sem mim, mas me diz então, qual é o seu medo?


Luciana Klier

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Contida.

Quando seus pensamentos tomam conta de você e algo te impede de agir como gostaria, não é capaz de intensificar, é difícil respirar, impossível explicar, decifrar, reparar, não encontro a saida.


Reinventou a leveza de ser.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Sem trilha sonora.

- Vê esta cicatriz? Aqui, olha.
Mostrava-me a palma da mão.
- Sim, tens aí uma honorável cicatriz - dizia, tateando.
- Profunda. - repetia a voz embargada pra trazer á tona a memóoria dramática do amigo.
- Pois bem, certa vez estava sentado em uma mesa de bar quando um velho conhecido se aproximou, sem pedir licença foi logo puxando cadeira. Ofereci um copo, ele sem cerimônia virou de uma só vez, encheu-o de novo enquanto posava-se de macho.
Puxando conversa:
- Por que está ai tão sozinho, carente? Em pleno sabadão desses?
Continuei calado, ele também desconcentrado virou mais um gole, silenciou por alguns instantes.
Pedi, melhor ordenei:
- Me queime.
- Joana D'Arc á procura de fogueira?
- Aqui - disse, estendendo-lhe a palma da mão.
Como ele parecesse não ter entendido bem, repeti:
- Pegue o cigarro e queime esta palma.
- Por quê? Por que quer que eu faça isso? Por que o faria?
- Vamos.
- Dói cara, tá louco?
- Obedeça! Não vai doer, tenho certeza.
Autoritário e desafiante, a mãe aberta estendida, incitava:
- Entendo de dores, garanto-lhe. Nada vou sentir.
Ameacei, segurando o copo:
- Se quer continuar bebendo, aqui sentando nesta mesa, faça o que estou pedindo. Caso contrário...
Ante a ameaça de represália, o camarada ainda titubeou:
- Fazer isso por que? logo com um cara legal?
- Quero testar minha dor. Tenho certeza de que nada vou sentir, repito.
Como tomei sua mão com o cigarro aceso e ameaçava eu mesmo fazer o que queria, ele então decidiu.
- Está bem, sendo assim.
E segurando minha mão deixou que o cigarro aceso fosse pouco a pouco chamuscando a pele da palma, enquanto torcia para que eu reclamasse de dor.
Mas que dor nada.
Quando o cigarro apagou, uma feia ferida ali se formara, exibível.
Abri os dedos, confessei:
- Não senti nada, nem sinto nada agora. A dor que trago dentro é maior, mil vezes mais. Esta cicatriz é insignificante comparada á do peito.