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quarta-feira, 26 de março de 2014

Não sei. Sinceramente, eu dançaria todo esse mosaico da rua XV com qualquer música que estivesse tocando na minha cabeça naquele momento. Não sei.
Hoje eu acordei meio assim. Nem pra lá e muito menos pra cá. São esses os abençoados (ou não) dias que tiro pra me questionar sobre tudo, e olha: não sei.
Eu penso, repenso, procuro sentido, perco sentido e talvez eu até sinta. Mas ai. Nem discuto, sabe? Porque, afinal de contas.
Eu só consigo, olhando esse teto que absorveu toda a possibilidade de cor, imaginar que sou um grande parentese. Desse que pra uns acrescenta e pra outros só confunde. Isso, bem esse que quando a gente tá cansado, pula.
Mas eu só imagino porque não sei.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Cinco à seco

Eu quero morar no teu cheiro
porque é nele que encontro a
tranquilidade escassa
dos meus dentes cerrados
e desesperados ao acompanhar 
a sombra que dança
da curva das pernas

Até que elas se esbarram e viram nós
rendidos quando estão à sós; 

...

E ainda sobre
[...] do ouvido não olvido
pois tendo desenvolvido
a guerra dos sentidos
me voltei pro silêncio
o som não faz mais sentido."

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Nasci do Lake Erie.

Teve um dia em que eu estava passeando de barco, quando em “alto mar”o barco parou. Não era um lago qualquer, e eu nem sabia muito sobre ele, no máximo que era muito fundo e muito gelado também. Eu nunca havia tido uma experiência tão próxima com água, na verdade, não sei nem se posso dizer que sabia nadar.

Mas naquele dia, mecanicamente me dirigi para a saída, e observando a distância entre o barco e a água, além de seu movimento de oscilação, pulei. 

Eu não tinha absolutamente nada que me desse segurança, não tinha colete, corda, nem o fundo próximo dos meus pés e muito menos a borda próxima das minhas mãos.

Depois que pulei, senti como que se não existisse força nenhuma sobre mim, e como se eu fosse algo insignificante no meio daquela imensidão azuladamente vazia. Eu afundava, afundava, afundava... e quando abri os olhos, vi a luz na superfície ficando cada vez mais distante. Qualquer movimento que eu fizesse era inútil. Eu havia me tornado parte daquele todo cheio de nada. Olhei para o meu corpo e ele se movia no ritmo das ondas, e meus olhos cobertos de azul escuro, já previam a dor da água entrando nos meus pulmões. Mas não consegui me assustar, foi tão natural. Era como se eu estivesse sendo consumida pela natureza, e a luz do sol que eu via do lado de fora, fosse o que sobrava de mim.

Foi ai que eu senti que algo ainda me pertencia, e o vento frio de julho tocou a ponta dos meus dedos que fugiram daquele lugar. Aos poucos, todas as partes de mim passaram a ser as mais sensíveis existentes no universo, e meus membros obedeciam minhas vontades. Eu movimentava meus braços e minhas pernas que pareciam quebrar icebergs a cada metro atingido.

Então, encontrei a escada do barco, subi. Ri de mim mesma por alguns longos minutos, e quando senti o peso da necessidade de ser alguém, outra vez,  deixei que meus pés escorregassem de novo para dentro de um lugar onde não houvessem limites para mim. Lá onde meus pensamento e sentimentos divagavam sem fronteiras. Dissolviam-se.  Onde tudo se tornou um só, desafiando todas as ciências e os métodos.


Foi assim, e é assim sempre, todos os dias.

terça-feira, 14 de maio de 2013

É sobre esquecer.


Eu sempre gostei de estar só. Parece que faço mais sentido, quase que militarmente falando. Parece que sozinha minha personalidade se desmonta e só me sobra um eu que com um vento forte pode ser arrastado para qualquer lugar, a qualquer momento.  Mas, acontece é que não tenho tido tempo de ter tempo a sós com minha esquizofrenia, e como de costume, me desmonto ao relento, para quem quiser ver.
Extremamente vulnerável. Permitindo que meus instintos primitivos afoguem minha empobrecida racionalidade. Quando isso acontece, maldito, sou presa dentro de mim, e quase que em inércia, me restam os vultos que circundam a rotina de ser, estar, ter, entre outros verbos. Cansativo e indigno de valer o imposto eterno retorno, mártir.
Vejo-me pequena e sinto-me cada vez mais perto de explodir. São sempre pareceres, e agora me parece que essa guerra imponentemente marcada aos brados e ventos dentro de mim, nunca tem fim. E não vou o pôr aqui. 

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Elizabeth morreu.


Elizabeth sempre foi uma mulher forte. Só não resistiu aos moldes tradicionalistas.
Ela fez como todo mundo. Saiu de casa cedo, casou cedo, teve filhos cedo, cansou cedo e quando viu, já era tarde demais.
Aí ela continuou como todo mundo. Trabalhava o dia todo e alisava peça por peça do seu tempo. Elizabeth foi criada para sobreviver e então, não vivia.
Os anos foram passando, como pra todo mundo. E Elizabeth viu no espelho seus olhos caírem e sua expressão esvaziar. Seus cabelos esbranquiçaram e suas mãos enrugaram.  Mais do que isso, ela se viu como alguém que não conhecia.
E como todo mundo ela queria controle. Mas as coisas andam tão descontroladas. Então Elizabeth se viu cercada por uma vida de mentira. E ela não se deu conta de que não deu conta.
Não é por mal Elizabeth, nós sabemos.
E finalmente, de uma hora para outra. Elizabeth explodiu. 

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

São só boatos.


Acho que essa armação nova me deixou mais velha. Não sei bem se é o formato ou a cor que não combina com o tom da minha pele.

Não, não é o óculos, é essa roupa que me deixa parecendo uma mãe de três filhos descontrolados.  É que na pressa de levantar e esperar alguma coisa desse dia nublado eu não me preocupei em ficar apresentável. Um moletom cinza e um cardigã salmão não pareciam tão ruins quando eu acordei, às duas da tarde.

Tá, ok, talvez seja o café. Eu não devia gostar disso. Café tem gosto de desamor e minha pinta segurando essa caneca enquanto encosto a cabeça na porta da cozinha em reforma não soa muito jovial.

Jovial? Que droga de palavra é essa? Machado de Assis se referia assim às suas personagens moças? Só pode. Nada mais recente suporta esse tipo de coisa. Com todo o respeito.

Já sei! É a minha cama desarrumada a três dias e as roupas jogadas pelo chão! Minha mãe sempre disse que para as energias boas fluírem tudo tinha que estar no seu devido lugar. Mas ah, nunca vi sentido nisso mesmo.

Não acredito que estou cogitando a possibilidade da minha mãe estar certa.

Ok, enrubesci.

Estou tentando me justificar, mas na verdade to péssima. Parece que toda a maquiagem que eu me esqueci de tirar pra dormir mostrou as garras. Parece que toda a olheira das minhas noites mal dormidas resolveu aparecer. Parece que todo o frio do extremo norte tomou conta de mim. (E nem pra trazer junto uma aurora boereal)

Olha só, eu não quero fazer disso mais um clichê sobre amor, tudo bem? Vocês já entenderam nas entrelinhas que é isso sim.

E houve boatos de que eu estava na pior...

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Gregário.


Não é por ter sonhado com você (depois de tanto tempo) que eu estou assim. É que meu incenso acabou.
Não é por ter lembrado de tudo o que você me fez passar que eu estou aqui, engolindo o choro. É que eu borrei o esmalte que tinha acabado de passar.
Não é porque o sonho foi real e trouxe a tona tudo como um dia já foi que meus olhos estão em carne viva. É a minha rinite que atacou
Não é porque me senti sufocada com o que meu subconsciente transformou em tuas palavras que eu to aqui, abraçada com um cobertor macio enquanto tomo chá de camomila e ouço nenhum de nós. É que o próximo episódio do meu seriado favorito vai demorar pra sair.
Não, não é por você que passei o dia mal humorada, sendo estúpida com todo mundo. Não é por você que não consegui engolir um bom dia ou um pedaço de pão. Também não é por você que meu rosto tá choroso e meu coração apertado. Não é. Você não é tudo isso.
É só pelo meu eu que você deixou sozinho, tendo que se reconstruir e se reinventar. É só pelo meu eu.
Você não vê, mas você já foi mais do que um simples ser ou não ser. Almejava ser um a gente e eu vi você se perder.  Hoje você não é e eu estou tentando ser.
É só pelo meu eu. Só.