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domingo, 26 de agosto de 2012

Os segundos.


Vem tão depressa
Venta depressa.
Venta de pressa.
Cada segundo.
Seguindo junto.
Falta de atenção.
Sobra de ação.
Atende a intenção.

domingo, 5 de agosto de 2012

Daqui pra frente.


Poucas – mas não inexistentes- às vezes em que me senti assim. Fluxo desordenado. Falta de coordenação, cooperação.
Gosto de ilustrar meus sentimentos. Crio personagens e situações mentais para meus estados de espírito. Até um tempo atrás as coisas andavam rápidas demais. Quase uma corrida contra mim mesma. O dia e a noite passavam em minutos e eu era atropelada pela obrigação de ser alguém. Ilustrei esse momento como se estivesse correndo nos trilhos de um trem, sendo mais rápida que o maquinário e por vezes, que não foram poucas, deixe-me atropelar. Não sei exatamente como funcionam minhas projeções, mas, em qualquer situação além do normal, era para esse momento que eu me transportava. Correr. Correr mais do que as pernas aguentam. Sair dos trilhos e deixar o trem passar. Deixar o trem passar por cima. Eu tive que escolher e enfrentar situações assim, mas agora, passou. Passou por cima e eu não consegui levantar.
Nenhum trem passa por aqui já tem tempo e o caminho dos trilhos é tão comprido que nem me arrisco a percorrer. Tem horas em que realmente sinto vontade de tentar, mas no mesmo instante ouço o pulsar do ferro avisando que um novo vagão está por vir. O pulsar dos trilhos acompanha o ritmo do sangue percorrendo as minhas veias. Do sol, flamejando na existência e tocando com o peso e agressividade da obrigação minha pele. Suja. A poeira misturada ao suor contorna meu rosto redefinindo meus traços. Me torno quase irreconhecível. Tenho plena consciência de que não sou capaz de ir mais rápido e nem mais longe do próximo trem que está por vim. Esmoreço. Com pernas bambas volto ao chão. Parece-me até agradável. É mais seguro. Encontrei minha zona de conforto. O único problema é que eu nunca quis uma vida confortável.
Eu não sei de mais nada daqui pra frente. 

domingo, 22 de julho de 2012

Cantiga para não morrer



Quando você for se embora,
moça branca como a neve,
me leve.
Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.
Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar.
E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,
me leve no esquecimento.
Ferreira Gullar  

sexta-feira, 15 de junho de 2012

"Me aproximei, mas nada disse. Ela estava lendo, envolvida pelas palavras que a transportavam para outro mundo, interior.
Observei em silêncio desejando cada vez mais fazer parte desse mundo que lhe pertencia.
Torcendo pra que ela, no virar de uma página, me deixasse entrar." - Anonimo 

terça-feira, 29 de maio de 2012

"Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã de Caetano... Isso são só referenciais.
Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.
Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam. Pela fragilidade que se revela quando menos se espera."
                                                                                                                          Arnaldo Jabor

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Inconstância.

Tem hora em que é um carinho na alma.
Mais do que isso, é como se uma capsula se rompesse e fosse percorrendo o meu corpo até atingir o lugar mais escuro e escondido.
Mas também tem hora em que é ventania, bagunça. Falta de controle.
Correr pelos trilhos de um trem ouvindo o som do maquinário a vapor correndo mais rápido do que você.
É decidir ir ou ficar. Deixar o trem passar. Por cima ou tanto faz.
Outra hora, é a calma do mundo, abraço maior que o seu, cházinho de neném ou gato carente.
Pode ser tudo, só não posso ser nada. Até posso, mas não tem motivo. É ter motivo. Isso.
Aceitar qualquer desafio. Me permito doer e sentir. Estou inteira. Sou. Simples.
Antes de esquecer, preciso dizer que é tempo. O tempo que eu sempre quis e que chegou.
Não dá pra negar que também é um pouco de saudade. Saudade que vem assim do nada, sabe? No meio daquela quarta-feira cinza e.. Ah, como eu gosto dela.
Mas ora, o que espero? A verdade pra tudo isso: É ela.

domingo, 29 de abril de 2012

Pablo Neruda.

Por mi parte soy o creo ser duro de nariz,
 mínimo de ojos, escaso de pelos en la cabeza,
creciente de abdomen, largo de piernas, 
ancho de suelas, amarillo de tez,
generoso de amores, imposible de cálculos, 
confuso de palabras, tierno de manos,
lento de andar, inoxidable de corazón, 
aficionado a las estrellas, mareas, maremotos, 
admirador de escarabajos, caminante de arenas,
 torpe de instituciones, chileno a perpetuidad, 
amigo de mis amigos, mudo para enemigos,
 entrometido entre pájaros, tímido en los salones, 
audaz en la soledad, arrepentido sin objeto, 
horrendo administrador, navegante de boca,
yerbatero de la tinta, discreto entre los animales,
afortunado en nubarrones,  investigador en mercados,
oscuro en las bibliotecas, melancólico en las cordilleras,
incansable en los bosques, lentísimo de contestación,
ocurrente años después, vulgar durante todo el año, 
resplandeciente con mi cuaderno, monumental de apetito, 
tigre para dormir, sosegado en la alegría,
inspector del cielo nocturno, trabajador invisible, 
desordenado persistente, valiente por necesidad, 
cobarde sin pecado, soñoliento de vocación, 
amable de mujeres, activo por padecimiento,
 poeta por maldición y tonto de capirote.