
Podia ter pensado em noventa e quatro pessoas, mas não. Foi automático, ouvi a palavra saudade e pronto, você estava lá e fez sumir qualquer outra pessoa que também me despertaria os sentidos dessa forma.
Em um exato instante voltei no tempo, um tarde com vento gelado. Sábado. São Paulo, Liberdade. Mayara.
Olhei para ela e senti tudo o que fosse capaz de se sentir em questão de segundos, logo abri um sorriso, sonolento, mas incrivelmente verdadeiro, acho que ela não viu.
Foi até engraçado porque eu me perdi completamente, não soube desmontrar como estava feliz por aquele momento, pelo contrario, me tornei uma criatura bizarra que não conseguia tomar conta dos atos nem palavras, ainda por cima coloquei a culpa no sono. Criativa, não?
O fato é que eu estive lá, frente a pessoa que em tempos havia se tornado de uma importância inexplicável.
Não sei explicar o que ela tinha e se tentar posso acabar escrevendo um livro. Era algo que me fascinava de uma maneira incomum. Sabe? Jeito de mulher madura, bem resolvida, cheia de gênio e atitude, mas tinha a voz e o sorriso de menina doce, quase fragil que, no silêncio se tornou impenetrável, indescritível. Vai ver é isso mesmo.
Mas o tempo voou, e já era hora de ir embora. Guardo até hoje o abraço de despedida, o cheiro e qualquer outro detalhe. Foi o melhor. Característico daquela menina, por hora, mulher.
Só sei que não à vi mais, nos falamos pouco, quase nunca, e a distância entre minha saudade e aquela tarde, aqueles quinhentos quilometros que adei unicamente para vê-la, se torna cada vez maior.
Queria ter marcado ela, como ela me marcou. Queria que ela sentisse a mesma falta que eu sinto. Na verdade, não precisava ser a mesma, podia apenas ser. Sei que não devo esperar muito, mas lá no fundo uma parte bem ingênua sente e espera.
Isso é sobre alguém que já esteve aqui.