Pobre dela, que não conseguia mais entender o que as palavras queriam dizer quando diziam.
Via todas aquelas paredes de um branco e um ritmo descomunal envolvendo seu olhos com movimentos circulares a deixando mais confusa do que já se encontrava.
Colocou a mão no rosto, e tentou encontrar algo para fixar seus olhos. Mas nada iria á distrair do turbilhão de possibilidades que estavam em sua mente.
Só faltam dez dias, são os dez dias que separam o esforço do objetivo.
Foram planos e mais planos, projetos, noites sem dormir, pés e pernas doendo na alma, machucados em cima de machucados e agora só faltam dez dias.
Em dez dias serei bailarina outra vez.
Imaginar que isso está suspenso por um único detalhe, não me faço compreender sentido.
São só esses dias em que tudo teria que acabar bem, e que eu iria ignorar os imprevistos, dirigir todo meu esforço e minha atenção num só objetivo, para tudo se concretizar como esperado.
Ele disse que não pode fazer mais nada, é caso cirúrgico, é emergência, é preciso.
- Você não poderá dançar, me desculpe, mas não.
Meus olhos se fixaram em algum ponto, enquanto as lágrimas começaram a correr pela minha face.
Tenho motivos pra não te obedecer.
É algo maior do que uma necessidade, não é físico.
Não é pra ser entendido.
Decidi que daqui a dez dias irei dançar, e vou dar o melhor de mim, como não fiz em outras oportunidades, sem me preocupar com o que vem depois, sem pensar na dor.
Tenho total certeza de que ela vai se diluir, quando deparar com meu sorriso por ter conseguido.
“ O mundo acaba hoje, e eu estarei dançando”
Nenhum comentário:
Postar um comentário