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sábado, 6 de outubro de 2012

As flores de plástico.


Conhecer os demônios alheios é uma das experiências mais interessantes da vida. E não estou dramatizando agora.
Quando eu era criança, pegava botões da Camélia que tinha na casa da minha avó e tirava folha por folha. Dezenas.
O pé de Camélia já não está mais onde costumava estar e eu não gasto as unhas que não tenho estragando o resultado dessa criação. Literalmente falando. Agora eu ‘desfolho’ pessoas. Quanto mais interno, mais verdadeiro.
É curioso ver toda a armação que escondemos até chegar ao interior.
São mentiras, são momentos, são duplas personalidades e caras.
Todo mundo desfolha as Camélias do dia a dia.
Cada um se decepciona ou surpreende, profundamente. Não existe meio termo.
Porém, recentemente encontrei uma flor única.
Ao tentar descobri-la, encontrei medos, inseguranças, carências, fragilidade e a busca por conforto.
Mais longe eu encontrei dissimulação, mentira, abuso e os piores tipo de cena.
Maldito artista que brinca com o coração dos palhaços sem reconhecer quem não se faz compreender, mas quer fazer sorrir.
E mais fundo ainda, veio à surpresa. Era oco. Vazio, gelado, seco. Independente. Sem vestígio de raízes.
Na verdade, era assim: Comigo-ninguém-pode.

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